Eu passo os dias tentando compreender essa geração que tem medo de se comprometer. Como se o laço com alguém fosse, na verdade, uma corda amarrada no pescoço de um suicida, prestes a enterrar a vida social, a liberdade, a diversão e os amigos. Como se namorar fosse, necessariamente, abrir mão de tudo ao redor.

Bom, eu não sei em que século essas pessoas vivem, mas se relacionar com alguém não é deixar de lado tudo e todos. Não é “largar o bar e agora só sorveteria”. É namorar alguém que seja companheiro de bar e de sorveteria. De Netflix e de festas. Alguém que seja companheiro, antes de tudo. Alguém tão amiga dos seus amigos quanto você. Que gosta de estar junto, mas entende que um relacionamento é feito de duas pessoas individuais. Alguém que seja sua melhor amiga pra poder rir e chorar sem constrangimento.

Mas essa geração que tem urgência em viver algo que não sabe o que é, mas tem que aproveitar e se sentir viva, não pensa como eu. Só que aproveitar é relativo, não é?

Acho que é tão vazio chegar em casa sem alguém pra cuidar, pra receber cuidados. Sem ter com quem conversar sobre coisas pessoais, pensar ou mandar uma mensagem acompanhada de um sorriso bobo.

Para mim, isso é a morte do suicida. O vazio que vai consumindo aos poucos o coração até que ele congele e pare de bater.

 

Texto original no Literatura Amarga