O mal da sociedade moderna é torturante, intangível, invisível, incontrolável e fica dentro da nossa mente: a ansiedade.

Sabe quando as coisas nem aconteceram ainda e você já acha que deram errado? Quando tudo está finalmente dando certo, mas você fez um pacto de sangue Murphy e fica só esperando o momento em que alguma coisa ruim vai acontecer? Não sabe? Sorte a sua, você não faz parte do time dos ansiosos, sofredores intermináveis.

Ter uma mente ansiosa é cansativo, porque ela não para, mesmo que nós queiramos que pare. É uma mente observadora, detalhista e muito, muito intensa. Como se nosso cérebro tivesse um filtro inverso em que tudo que passa por nossos olhos é filtrado e, automaticamente, percebido com o triplo de intensidade. Apesar de calados, nós possuímos os pensamentos mais ensurdecedores de todos.

Se nós dissermos uma palavrinha indefesa que sentimos que não deveríamos ter dito, pronto. Nos culpamos pela eternidade. Essa pequena palavra fica ecoando em nossa cabeça, se misturando com o desejo de ter uma máquina do tempo pra voltar atrás e nunca termos dito àquilo, ou mais atrás ainda e nunca termos nascido. Intensos, eu disse.

Esse papo de se arrepender do que fez é melhor do que se arrepender do que não fez é um dilema, também. Ansiosos pensam demais. Nós não simplesmente fazemos e deixamos pra trás. Se nós fizemos algo com um milésimo de dúvida, revivemos e remoemos aquilo até perceber que não deveríamos ter feito e ficamos nos culpando por muito tempo. Os pequenos detalhes sempre ganham.

É torturante e exaustivo.

O pior de tudo é que mentes não ansiosas são incapazes de compreender a complexidade disso.  O que é simples pra eles, pra nós já virou um drama sem fim, principalmente porque nós não falamos, vamos acumulando tudo e quando resolvemos falar de uma vez, as proporções são maiores do que necessárias.

Nós ansiosos geralmente ficamos bem sozinhos, já que não gostamos de falar muito – ficamos ocupados demais pensando sem querer. É mais fácil do que ficar perto de pessoas que não compreendem isso e pedem uma explicação o tempo todo. Nós não gostamos de nos explicar, porque é inútil. Ninguém entenderia o que se passa aqui dentro de qualquer forma e ainda assustaria quem está de fora dessa bagunça interna.

Os gritos de dentro, silenciados pela boca calada às vezes afastam quem não está preparado pra isso. Se você não é ansioso, mas tem algum amigo, namorado, parente que é, por favor, não force a barra. Ele não tem culpa, entende? Ele já se tortura o suficiente, não faça ele se sentir o culpado, o pior ou o errado, porque ele vai concordar e as coisas irão piorar. Pra ele e pra você. Intensos que pensam demais, lembra?

Apesar de parecermos loucos, mentes ansiosas são criativas. Por serem intensas, detalhistas e muito observadoras, nossas mentes nos permitem ver o mundo com outros olhos, sentir de formas diferentes e criar, criar muito. São criativas, usam a arte, a escrita e a música, por exemplo, como refúgio pra colocar pra fora a bagunça mental de forma bela e harmoniosa.

Não tente entender pessoas ansiosas, não tente julga-las, não tente muda-las, não as pressione ou exija explicações. Elas fazem tudo isso sozinhas, diariamente e têm consciência disso.

Nós, seres intensos, temos muito sentimento guardado e somos chamados de frios por não coloca-los pra fora. Mas, acredite, por mais cilada ou loucura que soe se apaixonar por alguém assim, o amor de um ansioso é o mais profundo que você poderia receber, mas você precista estar preparado pra isso.

Caso contrário, foi um prazer.